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Observatório dos Direitos Sociais do Semiárido - ODSS

Observatório dos Direitos Sociais do Semiárido (ODSS) é um projeto de extensão vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Direito (PPGD – Mestrado Acadêmico) da Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa), fundado em maio de 2024. Nossa missão é promover a qualidade dos direitos sociais na região do semiárido, identificando violações e implementando ações concretas de reparação e fortalecimento desses direitos, com o objetivo de transformar realidades sociais e garantir dignidade aos trabalhadores e às comunidades locais.

Nossas ações refletem a transferência do conhecimento produzido no âmbito do PPGD para a sociedade civil. Em decorrência de um Acordo de Cooperação Técnica entre a Ufersa e o Ministério Público do Trabalho (MPT-RN), o primeiro plano de trabalho desenvolvido pelo ODSS foi o combate ao assédio eleitoral nas relações de trabalho durante as eleições municipais de 2024. Além de diversas ações de conscientização e combate ao assédio na mídia televisiva e nas redes sociais, o Observatório produziu um curso gratuito de formação sobre Combate ao Assédio nas Relações Trabalhistas, que serve ao MPT, à Justiça do Trabalho e à sociedade civil como um instrumento de capacitação para trabalhadoras e trabalhadores e também como medida de reparação de violações.

Um dos resultados da atuação do ODSS em 2024 foi a recorrência de denúncias de fraudes em contratos de trabalho no sistema de terceirização trabalhista, com impactos diretos na qualidade e meio ambiente do trabalho de milhares de trabalhadoras e trabalhadores. As denúncias envolviam violações à liberdade do voto, em decorrência de assédio eleitoral e fraudes contratuais, que colocavam trabalhadores na condição de sócios de Organizações Socais – OS, e a própria ausência de segurança no ambiente de trabalho, entre outras violações.

Considerando essa experiência, o ODSS tem buscado avançar na área de controle social sobre a forma em que a terceirização tem sido implementada no Rio Grande do Norte. Neste plano de trabalho, o foco se dá aos municípios da região Oeste potiguar, no setor de saúde. A região oeste é composta por 62 municípios, abrangendo uma população estimada de 842.503 habitantes (FEMURN, 2025).

O controle social é o mecanismo pelo qual a sociedade participa ativamente do monitoramento e da fiscalização das políticas públicas, garantindo transparência, eficiência e cumprimento dos direitos fundamentais. Esse controle pode ser exercido por meio da participação cidadã em conselhos, audiências públicas, iniciativas da sociedade civil e pelo uso de ferramentas como a Lei de Acesso à Informação (LAI). Seu objetivo é assegurar que os recursos públicos sejam utilizados corretamente e que as ações governamentais estejam alinhadas aos interesses coletivos.

A preocupação com a terceirização no serviço público municipal se insere dentro desse contexto em que muitos municípios acabam contratando Organizações Sociais sem uma adequada fiscalização, o que gera efeitos negativos na qualidade do trabalho desempenhado e em potenciais fraudes contratuais. Na área da saúde, essas violações são mais frequentes. O sistema de terceirização na área da saúde do Rio Grande do Norte enfrenta uma crise marcada por atrasos salariais, precarização das condições de trabalho e interrupção de serviços essenciais. Esses atrasos têm levado muitos profissionais a situações financeiras críticas, incluindo despejos e dificuldades para suprir necessidades básicas. A falta de pagamento tem gerado protestos e paralisações, afetando diretamente o funcionamento dos serviços de saúde no estado e a própria responsabilização dos municípios em decorrência da má-gestão de contratos de terceirização. Além dos atrasos salariais, há denúncias de condições de trabalho inadequadas, como a falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e ausência de locais apropriados para refeições, obrigando os trabalhadores a comerem em ambientes impróprios. Essas condições comprometem não apenas a saúde e segurança dos funcionários, mas também a qualidade do atendimento prestado à população. Embora a responsabilidade por essa crise possa ser atribuída tanto às empresas terceirizadas, que não cumprem com suas obrigações trabalhistas, quanto às autoridades municipais e estaduais, que falham na fiscalização e garantia dos direitos dos trabalhadores, a ausência de um controle social promovido pela sociedade civil contribui para a falta de informação adequada e de alternativas para uma maior participação da sociedade em demandas de interesse coletivo. A situação evidencia a necessidade de controle social sobre os contratos de terceirização e de medidas que assegurem o cumprimento dos direitos trabalhistas e a manutenção da qualidade dos serviços de saúde no Rio Grande do Norte.

ODSS pode atuar no controle social dos contratos de terceirização na saúde nos municípios da região Oeste do Rio Grande do Norte por meio de diversas estratégias, tais como: monitoramento e fiscalização, produção de relatórios e estudos técnicos; contribuindo com o controle social e ações institucionais de órgãos parceiros. Dessa forma, o Observatório pode atuar como um instrumento estratégico de controle social, garantindo que a terceirização seja conduzida dentro dos princípios da legalidade, da transparência e do respeito aos direitos dos trabalhadores.

A verificação da transparência e da regularidade dos contratos de terceirização na área da saúde é uma medida essencial dentro do marco do trabalho decente, da segurança e do meio ambiente do trabalho, bem como no combate a irregularidades trabalhistas. O setor da saúde, por sua natureza estratégica e altamente sensível, exige não apenas eficiência na prestação dos serviços, mas também o cumprimento rigoroso dos direitos laborais e das normas de segurança para os trabalhadores.

A terceirização, quando realizada sem critérios claros e mecanismos adequados de fiscalização, pode levar à precarização das condições de trabalho, resultando em baixos salários, alta rotatividade de profissionais, jornadas exaustivas e restrição ao acesso a direitos fundamentais. Além disso, a falta de transparência nos contratos compromete a alocação adequada de recursos públicos e pode facilitar práticas ilícitas, como fraudes contratuais e desvio de verbas.

No que se refere à segurança e ao meio ambiente do trabalho, é fundamental que os profissionais da saúde atuem em condições adequadas, minimizando riscos ocupacionais e garantindo um ambiente de trabalho seguro. A ausência de fiscalização sobre a conformidade desses contratos pode acarretar negligência na implementação de medidas protetivas, aumentando a exposição dos trabalhadores a agentes nocivos e colocando em risco tanto os profissionais quanto os pacientes.

Dessa forma, a criação de um grupo de trabalho para a fiscalização da transparência e regularidade dos contratos de terceirização na saúde nos municípios do Rio Grande do Norte não apenas reforça o compromisso com os princípios do trabalho decente, mas também fortalece a proteção social dos trabalhadores e a eficiência do serviço público, garantindo que a terceirização ocorra dentro dos marcos legais e em benefício da sociedade.

Objetivo Geral:

Analisar a transparência e a regularidade dos contratos de terceirização na área de saúde em municípios Oeste do Rio Grande do Norte, contribuindo para o combate a possíveis irregularidades trabalhistas e garantindo o cumprimento da legislação vigente.

Objetivos Específicos:

  1. A) Identificar e avaliar contratos de terceirização na área de saúde em órgãos municipais da região oeste potiguar (62 municípios), verificando requisitos legais e boas práticas de transparência.
  2. B) Solicitar informações oficiais e dados referentes aos contratos, empregados terceirizados e empresas prestadoras de serviço.
  3. C) Mapear o perfil dos trabalhadores terceirizados, incluindo suas funções, cargas horárias, remuneração e eventuais benefícios.
  4. D) Propor ações corretivas e recomendações aos municípios e às empresas terceirizadas para promover a regularização dos contratos.
  5. E) Capacitar gestores públicos e demais interessados sobre boas práticas de contratação e de fiscalização de contratos de terceirização.
  6. F) Propor um modelo de monitoramento aos órgãos públicos para o cumprimento das recomendações emitidas, a fim de garantir a sustentabilidade das ações de regularização.

 Justificativa:

A terceirização na área da saúde nos municípios do Oeste do Rio Grande do Norte desempenha um papel relevante na prestação de serviços públicos, mas também apresenta desafios significativos em relação à transparência, regularidade e respeito aos direitos trabalhistas. A ausência de fiscalização rigorosa e a falta de mecanismos eficientes de controle podem resultar em práticas irregulares, como fraudes contratuais, precarização das condições de trabalho e descumprimento de direitos fundamentais dos trabalhadores terceirizados.

Este projeto é relevante pelo potencial de reparação dessas violações, pois busca analisar criticamente a conformidade legal dos contratos de terceirização, assegurando que os trabalhadores envolvidos tenham garantidos seus direitos previstos na legislação trabalhista e na Constituição Federal. Ao identificar irregularidades e propor medidas corretivas, o projeto contribui para a melhoria da qualidade do trabalho terceirizado, protegendo os profissionais da área da saúde contra abusos, como atrasos salariais, ausência de benefícios e condições inadequadas de trabalho.

Além disso, a iniciativa fortalece a governança pública ao incentivar a transparência e a adoção de boas práticas na contratação de serviços terceirizados. O impacto direto dessa ação não se restringe apenas aos trabalhadores, mas também reflete na qualidade da assistência à saúde prestada à população dos 62 municípios da região, garantindo que os serviços sejam executados por profissionais devidamente contratados, remunerados e protegidos.

A capacitação de gestores públicos e a criação de um modelo de monitoramento garantem que os esforços deste projeto tenham um impacto sustentável a longo prazo. Dessa forma, esta iniciativa não apenas promove a reparação de direitos violados, mas também previne novas irregularidades, consolidando um ambiente de trabalho decente e transparente na saúde pública do Oeste potiguar.

O público-alvo deste projeto é amplo e diversificado, abrangendo diferentes atores envolvidos na gestão e fiscalização de contratos de terceirização na área da saúde nos municípios do Oeste Potiguar. Em primeiro lugar, incluem-se os gestores e servidores públicos que desempenham funções diretamente relacionadas à elaboração, análise e fiscalização desses contratos, sendo eles peças-chave para garantir a conformidade legal e a eficiência administrativa.

Além disso, as empresas terceirizadas que prestam serviços aos municípios também integram o público-alvo, com destaque para os sócios-administradores e as equipes de recursos humanos, que possuem papel central na condução das relações trabalhistas e no cumprimento das obrigações contratuais.

Outro grupo importante abarcado pelo projeto são os trabalhadores terceirizados, cujas condições de trabalho e direitos laborais estarão no centro das análises realizadas. Por fim, o projeto também contempla órgãos de controle e fiscalização, como os Tribunais de Contas, as Controladorias Internas Municipais e outras entidades correlatas, que desempenham funções essenciais no monitoramento e na promoção da transparência e regularidade dos contratos analisados.

Beneficiários do Projeto e Projeção Quantitativa:

  1. Trabalhadores terceirizados: serão diretamente beneficiados pela análise e eventual regularização das condições de trabalho e contratação. Estima-se atingir de 2.000 a 3.000 trabalhadores terceirizados da área de saúde nos 62 municípios do RN.
  2. Municípios do Estado do RN: terão processos de contratação mais transparentes, fortalecendo a governança pública e a eficiência administrativa. Englobar-se-á os 62 municípios da região Oeste do Estado.
  3. Empresas terceirizadas: poderão ajustar suas práticas, melhorando a conformidade legal e evitando passivos trabalhistas.
  4. Sociedade em geral: terá maior transparência no uso dos recursos públicos e maior garantia do cumprimento das leis trabalhistas.
1 de março de 2026. Visualizações: 28. Última modificação: 04/03/2026 14:50:12